sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

O paradoxo da hipocrisia.

Pode parecer um tanto paradoxal, mas é um evento recorrente nos ultimos tempos. Cada vez mais surge uma manada de lobos incessante por criticar o Natal.Definem o dia como um dos piores dias do ano. Quando não criticam o consumo - que para eles - é exagerado e promotor do demônio do capitalismo, criticam a convivência em família. Procuram estereótipos historicamente construídos como negativos e baseiam suas idéias em cima de tais comparações, as personagens utilizadas por tais críticos são as mesmas usadas por qualquer programa humorístico de quinta categoria da tevê brasileira. É o cunhado chato, a prima gorda, a sogra cobra e o sogro bêbado.
entretanto o que mais me irrita - e irrita mesmo - é quando vêm definir a data como dia do capitalismo/consumisto. A partir de tais afirmações é que se constrói uma das maiores hipocrisias existentes. Essas pessoas criticam o Natal dizendo que muito se esquece do real significado de tal evento, que este seria um momento de se confraternizar valorizando-se as pessoas e não os presentes. Raciocínio até então coerente ao meu modo de ver, entretanto quando se conhece a fundo as pessoas as inconsistências começam a surgir, e não são poucas. Os mesmos que criticam tal evento do consumismo são os que tem 12 pares de sapatos sobre o armário, são os que são desejosos por possuir um "Mac", afinal é muito mais 'pop' ter uma máquina que ninguém possui, são os mesmos que quando vêem aquela camiseta 'diferente' desembolsam uma centena de reais com a maior naturalidade.Incongruente,não?
Os mesmos que criticam o regime 'porco capitalista' rendem-se a ele com a maior facilidade. Os mesmos que definem o Natal como uma data de consumismo exacerbado agem da mesma maneira em todos os outros dias do ano. No fim das contas sabe o que acontece? Vêm-se criando uma nova modinha dentro da população humana, a modinha de ser crítico e discordar de tudo. Mas antes de tudo uma dica para os intelectuais de meia pataca que aparecem: antes de criticar alguma coisa não compactue - ou pelo menos disfarce bem - com o sistema criticado.


Post Scriptum:Antes de vir comentar os problemas gramaticais entenda a essência do texto. Você foi criado para pensar e não para agir como máquina,

Feliz Natal!

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pequenas Vitórias

O dia amanheceu maravilhoso e eu com a boa e a velha malandragem de um cidadão carioca me pús a aproveita-lo. Barra, Leblon, Copacabana. Eu iria do "Leme ao Pontal" como um dia Tim Maia cantara. O dia prometia, eu sentia. Me jogaria às águas de Copacabana e deixaria as ondas molharem todo o meu corpo, depois secando-o e deixando se formar uma leve camada de sal para destoar com o tom bronzeado da minha pele.Saí.
Camiseta regata sobre o corpo, óculos escuros para proteger-me dos raios solares, e a vontade de largar o corpo sobre uma cadeira e saborear uma doce água de coco após uma bela partida de futebol. Me lançaria às redes do Vôlei e me sentiria vitorioso como os grandes ídolos da seleção, masmo com toda a minha falta de coordenação.Cheguei à praia.
Somente o fato de me encontrar aquele mar já me retirava todas as ideias anteriores de passear pelo Rio, eu queria estar alí eternamente.O movimento das ondas do mar vencia, e muito, o sacolejar dos quadris da "Garota de Ipanema" de Vinícius e já trazia a trilha sonora perfeita para o meu dia. Corri para o mar, joguei meu futebol, transmutei-me em ídolo do vôlei.
Meio de tarde, o cheiro do sal já estava impregnado em minhas narinas e contrariando todos os conceitos da Biologia, o mar circulava pela minha corrente sanguínea. "Olha o espeto de camarão" o vendedor dizia, e eu com um sorriso realizava a compra, ciente de todos os perigos que alí existiam, inconsequente somente por querer sentir o prazer alí embutido. Comi, descansei, fui para casa.
No caminho de casa ainda tive a possibilidade de vislumbrar vagamente o pôr-do-sol. Aquela imensa bola alaranjada que sumia frente a imponência dos prédios da cidade, mas ainda assim deixava a sua beleza graças aos tons amarelos aquarelados no céu. Cheguei em casa, tomei um banho, dormi. Um dia comum para muitos, entretanto para mim um dia de vitórias. Pequenas vitórias, é verdade, contudo a partir de pequenas vitórias que construiu-se este mundo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Carta

São Paulo, 5 de outubro de 2009


Queridos pais,


O sol de São Paulo amanheceu maravilhoso hoje, é uma pena que eu não possa estar assim também, afinal a doença cada vez mais me acomete e o cheiro da morte aparece cada vez mais próximo de mim. Ontem, ouvi de um dos médicos, fora do quarto, que não daria mais, que o fim estaria próximo. Movido por este sentimento me pus a escrever esta carta.

Em primeiro lugar, meus pais, gostaria de fazer um pedido digno de um filho que está próximo do fim e que sente o desespero tomar conta de si com o passar dos dias. Meus pais, não se conformem com a minha morte, pois nenhum jovem merece passar o que eu vivo agora e acredito que nenhum pai mereça estar na situação de vocês.

Eu nunca fui um jovem desregrado e sem limites, entretanto sofro com as conseqüências de uma vida que não é minha.Sofro com a AIDS, doença esta que mata aos poucos e destrói as células defensoras do corpo tornando qualquer simples gripe em um potencial causador de morte. Sinto-me culpado, meus pais, pois no único dia em que resolvi seguir para o rumo contrário de seus ensinamentos assinei a minha sentença de morte. A busca do novo, a droga, uma agulha, a morte.

Acima, escrevi que vocês não deveriam se conformar com a minha morte, aqui, explano sobre como gostaria que isso fosse feito. É sabido que um grande número de jovens a cada dia que passa são acometidos pelas DST’s, desde as menos graves como o “chato” até as mais grave como a AIDS, no meu caso. Também é sabido que muitos desses casos são provenientes de falta de informações e estrutura familiar. Gostaria que vocês criassem uma ONG ou afiliassem-se a uma com o intuito de evitar as contaminações por DST’s nos jovens a partir do aconselhamentos e do apoio que muitas vezes falta nas famílias.

Eu pressuponho que no atual momento desta carta vocês devem estar argumentando que tal atitude é dever do Estado. Contudo nos cinco dias que fiquei instalado em um hospital público, enquanto esperava vocês me transferirem para este hospital particular, obtive contato com outros pacientes portadores de DST’s e pude ter a certeza de que o Estado é praticamente alheio a tais práticas orientadoras. Meus pais, vivemos em um país no qual medidas de longo prazo são deixadas de lado, pois correm o risco de serem efetivadas no mandato da oposição.Graças a todos esses fatos,gostaria da força de vontade de vocês nessa empreitada por um desejo de seu filho.

A força para escrever já me falta e o horário do coquetel se aproxima, portanto despeço-me.Beijos a mamãe e que ela trate com o mesmo carinho os jovens de quando a mim travata enquanto eu ainda vestia roupas de marinheiro para passeio no parque. Um abraço ao papai e que ele possa ser presente e conselheiro na vida destes jovens tanto quanto foi quando eu tive a minha primeira garota, o meu primeiro , e único, acesso de embriaguez e quando peguei o carro sem possuir carteira de habilitação.

Com a esperança de poder ajudar a salvar vidas,

T.M.R

terça-feira, 21 de julho de 2009

Acampamento de casais (De volta a vida)

Tenho a coragem de tirar este blog da criogenia, pois os acontecimentos de agora me deram uma nova força.Pode ser que esta se acabe, ou não.Tenho a coragem de enfrentar os impecilhos tecnológicos do hoje e levar este blog novamente a vida. Porém vida é processo lento e demanda um aquecimento lento e contínuo.
Usando o recurso de linguagem adequado tenho a coragem de dizer que venho aqui não para contar uma história de vida,mas a vida de uma história.Neste final de semana tive a oportunidade de reafirmar e ver a reafirmação de um futuro bom.Tive a oportunidade de ver a força do humano transcender ao divino.E por incrível que pareça tudo isso aconteceu comigo assistindo TV e mais forte ainda em uma tarde de domingo. Posso parecer carola, pouco me importa a sua opinião, mas vi o espetáculo da vida manisfestar-se. Milhares de casais alí refletindo e construindo uma família melhor. É bonito ver que muitas famílias estão preocupadas com a sua formação e mais bonito ainda perceber que a vontade de acertar é mais forte.Um rincão, milhares de famílias, o pregador. O mesmo que muitas vezes dito como Padre Estrela como o vendedor de discos.O homem de vida simples e de interior,filho de alcoolatra e filho com sete irmão,Padre Fábio de Melo o homem que durante sua homilia se emocionou com sua história e fez grande parte do rincão chorar.O homem que com toda a certeza no poder de sua oratória Conseguiu retirar o álcool da vida de muitas famílias. O homem pelo qual não devemos nos apaixonar,mas sim apaixonar-mos por quem ele anuncia: O Pai.
É bonito ver um acampamento, é bonito ver tantas famílias reunidas, é bonito ver a vontade de acertar.

domingo, 10 de maio de 2009

Ressureição

Certo dia me perguntaram o que era ressurreição e eu na inocência da denotatividade das palavras respondi:
-Ressurreição é renascer.Não morrer.

Hoje o tempo passa e cada vez mais penso e vejo que a ressurreição não fica apenas na denotatividade das palavras. Vejo ressurreição em praticamente todos os lugares. Vejo ressurreição na face da criança que brinca na praça, vejo ressurreição na face do pai que mesmo com a crise de coluna continua a brincar com seu filho, vejo ressurreição no sorriso dos jovens que não se perderam na vida, vejo ressurreição na face dos que retornam do caminho escuro, vejo ressureição na face desgastada pelo tempo da mãe do presidiário, vejo ressurreição na face do carcereiro que vê a realidade e apreende um mundo que jamais quer ter para os seus filhos.

Eu vejo ressurreição no tempo que passa e percorre a vida a cada instante e em todo o lugar. Eu vejo ressurreição no tempo Kairós que vence as leis da física e mostra-se intransponível, intranspassável, um tempo atemporal,que nunca acaba. Em contrapardida também vejo o tempo Khronos que apesar de tão marginalizado pela espécie humana vagarozamente faz o seu serviço, o dar fim as coisas e trazer junto a ele a velhice. O tempo Khronos é grande sinal de ressurreição, é ele o catalizador, na verdade, de toda ressureição, sem ele toda a fugacidade da vida não existiria e toda a perspectiva para melhora seria marginalizada, deixada à margem de tratamento.

Eu vejo a ressureição como nada mais do que a somatização da vida. Não somatização com a perspectiva negativa da atualidade,relacionada à doenças, mas a somatização no sentido etimológico da palavra. Ressurreição é a soma da vida, é o acontecimento da vida no momento em que a morte parece eminente. Ressurreição é retomada da vida, é força, é coragem é vontade de viver. Eu quero praticar ressurreição, e você?


O que é ressurreição para você?